A autora

Comecei a escrever na adolescência.


O primeiro poema de que gostei realmente foi feito quando aprendi o conceito de intervalo aberto na aula de matemática e fiquei extasiada.

Intervalo aberto
Poço eterno
Tão vazia de mim
Poço sem fundo
E a calma,
Sem certeza de nada
Ainda é já.

Desde então, escrever foi fundamental para manter, questionar recuperar ou criar o equilíbrio.

Quando ainda cursava a faculdade de teatro tive um emprego temporário no Chase Manhattan Bank, na Rua do Ouvidor, que me inspirou a escrever uma história semi-infantil chamada “Ô, Jurandir!...” a ser publicada. Tempos depois, o prédio virou uma livraria!



...Em 1988 conheci Joaquim Assis, artista, escritor, e durante um tempo, escrever virou uma coisa que ele fazia. E ganhava dinheiro com isso, que bom! Para minha alegria, gostava que eu lesse e até me pedia opinião. Eu dava...

Foi participando das aulas de Joaquim, na Primeira Oficina Escrever Cinema, que começou a se concretizar para mim a diferença entre texto literário e texto cinematográfico. De lá para cá, participei de várias outras oficinas, muitas com ele, sempre descobrindo caminhos.

Em 1991, surgiu a oportunidade de trabalhar com Joaquim, ao oferecer que desenvolvesse um roteiro a partir do argumento de “Ele, Ela, e a Morte”, criado por mim. O texto pensado para um longa-metragem, veio a se chamar “Tudo é muito Importante", com o qual Joaquim foi contemplado com a Bolsa Vitae de Artes e no qual pude colaborar.

Estávamos em plena Era Collor e fazer cinema no Brasil praticamente se tornara ficção. Mas não ficamos em solo pátrio, pois fomos convidados por Orlando Senna a dar aulas na EICTV (Escuela Internacional de Cine y TV) em San Antonio de los Baños, la Escuela de 3 Mundos, fundada por Fernando Birri e Gabriel García Marquez. Joaquim se tornou o catedrático de Roteiro e eu dava aulas de Direção de Atores e assessorava filmagens.

Ao sair do Brasil levava um conselho de Fernanda Montenegro na cabeça: todo ator tem que ter seu trabalho de bolso. Eu ainda não tinha, mas procurando bem, havia a vontade de falar com humor de dois assuntos muito caros a mim: o ruído na comunicação e a hora de morrer. E assim nasceu o texto para meu solo teatral, “4 – Peça de Câmara para 1 Atriz e 4 Personagens”, no qual a Velha pensa que o filho Homem voltará para matá-la e o Homem realmente volta, mas por ter sonhado que a Velha sua mãe vai morrer. E a Velha efetivamente morre, de tanto rir. Acho que morrer de rir deve ser uma das melhores maneiras de morrer. Já de volta ao Brasil, o desenvolvi, recebendo o Prêmio Funarte de Estímulo à Dramaturgia – Autor Inédito por este texto, em 1996. Levei anos para montar o solo, mas finalmente em 2013 o tirei da gaveta e desde então o apresento pontualmente.



Em 2000, a bibliotecária Laíse Carvalho me solicitou que preparasse algo para o Paixão de Ler no Museu da Vida, onde trabalhávamos. Decidi fazer um recorte do que os escritores pensavam sobre o escrever. Foram meses de pesquisa. E na hora de alinhavar os textos, me veio um estímulo um tanto autobiográfico, que se tornou a história de Paula Efigênia, uma menina que preocupa sua mãe pois lê tudo o que lhe cai nas mãos, de bula de remédio a Nietzsche. Esta foi a gênese de Leio Porque Quero, que chamo de minha peça feliz, pois, criada sem grandes pretensões, conseguiu temporada no CCBB-Rio em 2003 e o Prêmio Caravana Funarte Sudeste-Sul em 2005, entre outras boas notícias. Inicialmente dividi a cena com Alex Cabral e depois com Luís Fernando Donadio.

Em 2009, comecei a escrever o Blog da Duaia, que flutua discretamente no cyberspace e que deve ser parcialmente publicado.

Em 2014 participei da oficina em que Domingos Oliveira se propunha a escrever uma peça durante as aulas. Logo a peça se tornou roteiro, pois segundo Domingos, era mais fácil, dando origem ao longa Barata Ribeiro 716. Talvez por isso, em 2015, Domingos Oliveira me chamou para ajudar em seu livro Antonio – O Primeiro Dia da Morte de um Homem, o que foi uma experiência desafiadora, compartilhada também com Andréa Alencar. Esta experiência foi seguida de outra, inicialmente outro livro, Ultimatum – O Ofício do Escrever, que logo virou peça com vários títulos diferentes: A lenda da ruiva no Telhado, Extravagância, e novamente Ultimatum, apresentada como leitura dramática em alguns locais.

Estou no processo de escrita de um infantil que dá sequência a Leio Porque Quero, chamado Cartas para o Avô. E pretendo ver na tela dois curtas que escrevi: “O Cavalo e a Princesa” e “Corcovado”.



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