A preparadora


Comecei a exercitar a preparação de atores ao assessorar jovens futuros diretores em casting e ensaios para suas filmagens.


Um ponto de vista privilegiado para aprofundar o que se quer dizer, ou como diz Lumet “para fazermos todos o mesmo filme”. Quando dei início a esse processo, só se rodava em película, e esta, sempre era pouca. Daí a necessidade de acertar logo. Não havia o conforto que o processo digital confere, ao possibilitar a repetição, embora esta também não seja muito bem-vinda, pois incorre em custos diversos.

A síntese é fundamental na comunicação para um bom produto audiovisual. Dizer “está ruim” ou “está bom” não chega a favorecer um resultado. Está ruim ou bom, o quê? Para onde ir? Estudar o texto, saber qual a concepção da direção, qual a percepção de cada ator/atriz, favorecem um trabalho com objetividade, respeito e delicadeza no acabamento. Um dos caminhos que gosto de percorrer é o de Spolin. E a experiência de ser dirigida pela atenta Claudia Valli também colaborou para o que chamo de minha “mala de ferramentas de preparadora”. Ter alguém que dê um retorno sobre algo que você fez em cena e nem sabe, ou que informe sobre algo que está sendo perdido na repetição, é valiosíssimo.

Pelo lado de quem atua, tentar fazer a cena e assistir o que faz, ao mesmo tempo, é o caminho para um resultado insatisfatório. Mas como aproveitar as melhores possibilidades? Aí entra a preparação de atores.

Ensaiar sabendo que alguém observa atentamente e vai sugerir, limpar, potencializar o material bruto que surgiu é um caminho para a economia no tempo de set com elegância, respeito e conteúdo. Respeito ao trabalho, à história, ao personagem e a quem atua, para que este saia íntegro de um processo que seja de crescimento pessoal e profissional. É assim que gosto de trabalhar. Não sei quantos atores e atrizes já preparei para algum trabalho. Mas foram muitos. E certamente continuarão sendo. E bem vindos serão!


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